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Relações afetivas mediadas pelas redes sociais

Relações de controle nas relações afetivas: Namoros, casamentos ou prisões?

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Com o avanço das tecnologias, a facilidade de comunicação está aumentando. 

Hoje é possível falar com aqueles que amamos em tempo real, de qualquer lugar do mundo. Desta é que é possível também saber a localização (exata ou aproximada) do outro,  acompanhar seu deslocamento, saber se está ou não online, bem como a última vez que visualizou suas mensagens.

A vantagem é que isto aproxima as pessoas. 
A desvantagem é que possibilita o controle excessivo sobre o outro, impossibilitando que relações de confiança sejam estabelecidas.

A proximidade virtual desfavorece a formação de vínculos de confiança, pois existe uma tendência a acreditar naquilo que se a respeito do outro nas redes sociais, ao invés de ouvi-lo.

É  muito comum  encontrar "surpresas" ao "xeretar" no perfil do outro. As vezes basta uma foto, uma frase, um "like", ou um post para que a relação sofra alguns estremecimentos e a confiança (que ainda não foi estabelecida) sofra alguns abalos. 

O Whatsapp se tornou assim, o grande aliado dos apaixonados desconfiados, já que é possível monitorar o comportamento do outro quando não está presente. Se o parceiro está online e não responde uma mensagem, a tendência é distorcer esta atitude e interpretá-la da forma mais negativa possível, gerando surto de desconfiança.

Porque isto ocorre?


Segundo Xavier (2014), estamos vivenciando o momento dos amores líquidos proposto por Bauman (2004) sugerindo que as relações afetivas são efêmeras,  curtas e abertas, obedecendo a lógica da sociedade de consumo, em que é possível consumir bens e pessoas, e descartá-los assim que não forem convenientes;

Isto nos leva a imaginar que para construir um relacionamento solido é necessário muito empenho. Para construir relações de confiança é necessário estar aberto a isto, ou seja, ter a capacidade de confiar no outro, o que nem sempre é fácil, pois a desconfiança pode estar em você, não no outro, salvo em alguns casos.

Indivíduos controladores:

Para quem não consegue confiar no parceiro (a) eu deixo algumas perguntas: 
  • Como seria sua relação com ele (ela) se não existissem as redes sociais? 
  • Como seria possível controlá-lo? 
  • Saber onde ele (ela) está, ou o que está fazendo e até mesmo o que está pensando? 


Se não há confiança suficiente em você para engajar uma relação afetiva, sugiro que busque ajuda psicológica

Mesmo quando não há necessidade de controles tecnológicos, algumas pessoas elaboram outras formas de controlar seus parceiros, na ânsia de aplacar seu ciúme excessivo. É o caso daqueles que tiram totalmente a liberdade do outro ser ele mesmo. Percebe-se que algumas pessoas não podem ter amigos, devem romper com seus parentes e familiares tão logo se casam.


Os controladores, em geral, são pessoas com a autoestima rebaixada, que não desenvolveram a confiança básica no outro, e desta forma controlam o outro para que nada fuja do normal em sua zona de conforto, pois se isso ocorrer, seu mundo será fragmentado e ele pode não ter repertório afetivo para lidar com as mudanças. Isto o levará a um mundo de sofrimento, de onde não conseguirá sair sozinho.

Naturalmente, existem casos em que a desconfiança se justifica. Algumas pessoas não são totalmente confiáveis. Mas neste caso, porque insistir em se relacionar com alguém que não inspira confiança? Não seria justo repensar sobre os motivos que o levam a vivenciar uma relação doentia? É justo perder noites de sono para vigiar o (a) parceiro (a), deixando de fazer coisas úteis para si mesmo? É justo perder tempo com alguém que certamente não se importa da mesma forma?

Se você respondeu que sim, certamente deve ter seus bons motivos, e repertório afetivo suficiente para lidar com estas situações. Mas se o relacionamento com pessoas pouco confiáveis te leva ao desgaste muito grande, talvez seja o momento de refletir sobre o que realmente é importante para você.

Algumas pessoas têm esperanças que o outro mude, se tornando um parceiro confiável. Isto, realmente pode acontecer. Porém, é o outro que tem de decidir mudar.Você pode ajudar, mas a decisão é dele. Cabe a você decidir se vale a pena esperar pelas mudanças.

Indivíduos controlados

Alguns indivíduos não percebem o quanto são controlados, até que desenvolvam alguma síndrome ou transtorno psicológico ( o Transtorno do Pânico em alguns casos pode se originar desta forma). Só percebem que há algo errado consigo mesmos quando têm sintomas físicos, como taquicardia ou hipertensão.

Outros acreditam que o controle excessivo é demonstração de afeto. Não é. Trata-se de demonstração de insegurança. São conceitos bem diferentes.

Para aqueles que se incomodam com as imposições de controle do outro e não sabem como dizer isso a ele (ela) por medo de magoar, sugiro que procurem ajuda psicológica, pois é possível que a pessoa que controla o faz por insegurança e em alguns casos, ingenuidade, sem perceber o quanto está sendo invasiva.


Conclusão

As relações afetivas devem existir para proporcionar bem estar aos parceiros, e devem ser libertadoras e envolventes, mas não devem assumir características de prisões ou controles.





Referência:

XAVIER, Maria Rita Pereira.
O amor em tempos de internet: as expectativas amorosas na rede social Badoo. 2014. 
112 f. 
Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional; Cultura e Representações) Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.



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