Por que nos afastamos de quem transmite muita negatividade
Em muitos momentos da vida percebemos uma tendência quase automática: nos afastamos de ambientes ou de pessoas cuja presença parece constantemente carregada de pessimismo, críticas ou desânimo. Esse movimento não acontece apenas por escolha racional. Em grande parte, ele está ligado ao modo como nosso cérebro processa emoções e se conecta com os outros.
A Proteção do Bem-Estar Emocional
Um dos fenômenos que ajudam a explicar isso é o funcionamento dos neurônios-espelho, um sistema cerebral relacionado à nossa capacidade de empatia e de aprendizagem social. Esses neurônios são ativados tanto quando realizamos uma ação quanto quando observamos outra pessoa fazendo o mesmo. Algo parecido acontece com as emoções.
Quando estamos próximos de alguém que expressa alegria, entusiasmo ou tranquilidade, nosso cérebro tende a reproduzir internamente esses estados. Da mesma forma, quando convivemos com alguém que demonstra irritação constante, tristeza profunda ou uma visão muito negativa da vida, podemos acabar absorvendo parte desse clima emocional.
Esse processo é conhecido como contágio emocional. Sem perceber, nosso corpo e nossa mente começam a “sintonizar” com o estado emocional das pessoas ao redor.
Mudanças sutis na expressão facial, no tom de voz e na postura corporal são captadas automaticamente pelo cérebro, influenciando nosso próprio humor.
Por isso, em algumas situações, afastar-se pode ser uma forma de autopreservação emocional. O organismo tenta manter um certo equilíbrio interno e, quando percebe que determinado ambiente ou relação está gerando desgaste frequente, surge o impulso de buscar espaços mais saudáveis.
Como a Psicologia explica o afastamento
A psicóloga e pesquisadora Barbara Fredrickson, autora do livro Amor 2.0, destaca que as emoções são profundamente relacionais.
Segundo sua perspectiva, sentimentos positivos como alegria, interesse e carinho também se espalham entre as pessoas, fortalecendo vínculos e ampliando nosso bem-estar. Ela descreve o amor cotidiano não apenas como um sentimento romântico, mas como pequenos momentos de conexão emocional que regulam nosso sistema nervoso e favorecem a saúde psicológica.
Quando estamos em ambientes onde predominam emoções positivas, nosso cérebro tende a ampliar a criatividade, a abertura para novas experiências e a sensação de segurança. O contrário também pode acontecer: contextos marcados por tensão constante ou negatividade prolongada podem reduzir nossa energia mental e aumentar o estresse.
Isso não significa rotular ou rejeitar pessoas que estejam passando por momentos difíceis. Todos nós, em algum momento, precisamos de apoio e compreensão.
Referências
FREDRICKSON, Barbara L. Amor 2.0: como o amor pode transformar sua vida e melhorar sua saúde. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
Conteúdo informativo desenvolvido pela
Psicóloga Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677
sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.
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