"Energias negativas". O que a Psicologia tem a dizer sobre isto?
Embora não corresponda a um conceito técnico reconhecido na psicologia científica, não podemos ignorar quando um paciente fala sobre isso, geralmente querendo destacar experiências emocionais desagradáveis.
Nesse contexto, na minha prática de psicologia clínica, interpreto as “energias negativas” do ponto de vista dos sentimentos desagradáveis que uma experiência suscitou.
Creio que, na psicologia, poderíamos compreender esse fenômeno como uma descarga emocional negativa, cujo gatilho foi alguma experiência subliminar vivenciada pelo paciente em determinado momento, mas que ele não conseguiu traduzir em palavras.
Ou, se preferirmos a linguagem da neurociência, poderíamos compreender como uma ativação do sistema de estresse, envolvendo a liberação de hormônios como o cortisol, em resposta a uma experiência percebida — ainda que não simbolizada — como ameaçadora.
Na Terapia Cognitivo comportamental
Na TCC, poderíamos aproximar o conceito de “energias negativas” como pensamentos, emoções ou comportamentos que exercem um impacto desfavorável sobre o bem-estar emocional e mental de uma pessoa.
Não se trata de uma energia no sentido físico ou místico, mas de um modo de funcionamento psíquico marcado por interpretações pessimistas, tensão interna persistente e respostas emocionais desreguladas.
Do ponto de vista cognitivo, a chamada “energia negativa” está frequentemente associada a distorções cognitivas.
As principais distorções cognitivas da TCC que podem se relacionar com a vivência descrita como “energias negativas” são:
1. Catastrofização
A pessoa antecipa o pior cenário possível, ampliando o impacto emocional da situação.
Ex.: “Isso foi horrível, nada vai dar certo daqui pra frente.”
2. Raciocínio supersticioso (ou inferência arbitrária de causalidade)
Estabelecimento de relações de causa e efeito sem base real, a partir de repetições percebidas ou associações subjetivas.
Ex.: “Toda vez que faço isso, algo dá errado.”
3. Filtro mental (atenção seletiva)
Foco quase exclusivo nos aspectos negativos, ignorando elementos neutros ou positivos.
Ex.: a experiência teve vários aspectos, mas apenas o negativo se destaca.
4. Leitura mental
Supor que sabe o que o outro pensa — geralmente de forma negativa.
Ex.: “Ele deve ter me achado incompetente.”
5. Raciocínio emocional
Tomar o sentimento como evidência da realidade.
Ex.: “Se me senti mal, então a situação foi ruim.”
É importante destacar que esses estados não definem a pessoa (a pessoa não é uma "pessoa negativa" porque teve pensamentos distorcidos). Isto indica que algo precisa de cuidado e ajuste.
O que a TCC tem para oferecer?
Com acompanhamento psicológico, é analisar identificar os padrões mentais e emocionais que sustentam esse funcionamento.
Em termos práticos, compreender o que popularmente se chama de “energia negativa” pode ajudar a pessoa a compreender seu repertório emocional, medos e inseguranças
Como a Psicóloga pode ajudar.
Psicóloga SP pode ajudar na identificação e no manejo dos padrões padrões disfuncionais de pensamentos através de abordagens terapêuticas e técnicas de mindfulness, reestruturação cognitiva e desenvolvimento de estratégias saudáveis de enfrentamento.
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