O
cérebro humano apresenta mecanismos biológicos sofisticados para a
formação de vínculos, mas enfrenta desafios severos diante da perda de
uma relação preciosa. O rompimento de vínculos afetivos pode provocar um
sofrimento comparável ao Luto, manifestando sintomas físicos como insônia, palpitações e taquicardia, comuns em situações de rejeição.
A Dinâmica Hormonal e o Apego
A
dor de uma ruptura tem raízes nas funções cerebrais e no sistema
endócrino. O amor é articulado por hormônios que favorecem a formação do
vínculo e do apego: a vasopressina e a ocitocina.
Somado a isso, a dopamina
atua no sistema de recompensa, gerando bem-estar ao contato com a
pessoa desejada. Com a evolução do relacionamento, essa "tempestade
hormonal" tende a ser substituída pelas endorfinas,
proporcionando uma sensação de estabilidade. No entanto, em casos de
paixão intensa, o cérebro pode operar de forma análoga ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), resultando em pensamentos intrusivos e declínio do senso crítico.
O Paradoxo da Ruptura
Segundo
Fisher (2004), após um rompimento, o cérebro pode elevar a produção de
ocitocina e vasopressina, levando o indivíduo a buscar o objeto de amor
perdido. Esse é o grande desafio: como processar o distanciamento quando
o organismo produz substâncias que favorecem a união?
Walter Riso destaca que superar esse "vício psicológico" exige lutar contra o impulso biológico, priorizando a autoeficácia e o Autoconhecimento. Trata-se de um processo de libertação que ocorre mesmo enquanto o sentimento ainda persiste.
De acordo com Walter Riso:
Primeiro deve aprender a superar os medos que se escondem por trás do
apego irracional, melhorar a autoeficácia, levantar a autoestima e o
autorespeito, desenvolver estratégias para a resolução de problemas e para
ter maior autocontrole. E tudo isso você deverá fazer sem deixar de sentir
o que sente por ele. Por isso é tão difícil. Repito, o viciado deve deixar
de consumir, mesmo que seu organismo não queira fazê-lo. Deve lutar contra
o impulso porque sabe que não lhe convém. Mas enquanto luta e persevera, o
apetite está ali, quieto e pungente, flutuando em seu ser e disposto a
atacar. Não se pode chegar agora ao desamor, isso chegará depois. Além
disso, quando começar a ficar independente, descobrirá que aquele
sentimento não era amor, mas uma forma de vício psicológico. Não há outro
caminho, deve se libertar dele sentindo que o ama, mas que ele não lhe
convém. (Riso, p. 33)
As Fases do Rompimento segundo Helen Fisher
Fisher (2004) categoriza o processo de separação em duas fases distintas:
1. Protesto
Nesta
fase, o aumento de dopamina e noradrenalina gera motivação para buscar a
recompensa perdida. O indivíduo pode emitir comportamentos de busca
intensa, como aumento no envio de mensagens ou tentativas forçadas de
encontro. É uma reação de Ansiedade elevada diante do distanciamento.
2. Resignação
Quando
os esforços de reaproximação falham, ocorre um esgotamento orgânico. Os
níveis de dopamina caem drasticamente, podendo levar a um estado de DEPRESSAO. Esta fase é marcada por angústia, desespero e perda de sentido.
Fisher (2004) salienta que:
La depresión también pudo impulsar a nuestros antepasados humanos a
abandonar empresas sin futuro y adoptar estrategias más eficaces para
alcanzar sus objetivos, especialmente objetivos reproductivos como el de
casarse (p.193)
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