Por - Psicóloga Maristela Vallim botari •
São Paulo e Online
CRP-SP 06-121677
O que o Psicólogo não deve falar para o paciente - psicologa sp
O que não falar para o paciente - Psicólogos
1. Frases que sugiram juízo de valor ou rotulação:
2. Afirmar que existe um transtorno mental, sem ter avaliado (por meio de instrumentos) as reais condições do paciente.
3. Dar conselhos diretos
4. Fazer ameaças psicológicas
5. Fazer elogios fora do contexto
Nem todas as pessoas sentem-se confortáveis com elogios.
6. Demonstrar pena, dó piedade, compaixão
Lembre-se: Empatia é diferente de compaixão.
EMPATIA É compreender o que o outro está sentindo, compreender o alcance da dor emocional (ou física), mas não precisa sentir o que o outro sente. Sentir o que o outro sente é COMPAIXÃO.
Saiba mais sobre a diferença entre EMPATIA e COMPAIXÃO
7. Não demonstrar Empatia
Creio que não exista nada pior do que conversar com alguém que não demonstre a mínima compreensão sobre o que estamos falando (eu já passei por isso, em outro contexto).
Como eu disse anteriormente, o paciente que nos procura espera nosso entendimento sobre seu caso, da forma mais técnica e profissional e empática possível.
Porém, ele não sabe como trabalhamos, não conhece nossas técnicas, nossas teorias e nossas abordagens; não tem obrigação alguma de saber que estamos sendo empáticos com ele, se não fizermos movimentos que sugiram uma atitude empática.
8 - Ameaçar abandonar o paciente
A interrupção de um tratamento Psicológico deve ser conversada já no primeiro atendimento, antes que o paciente comece a falar das suas demandas e de preferência devem estar documentadas em algum lugar (no site, ou mesmo um contrato terapêutico).
9 - Ameaçar quebra de sigilo.
Além de antiético é extremamente preocupante conceber que suas informações poderão sair do contexto da Psicoterapia.
Quando houver situações em que a quebra de sigilo seja necessária, o mais adequado é que isso seja explicado com clareza, cuidado e dentro do contexto ético e legal da Psicologia, destacando que se trata de uma medida excepcional, adotada apenas quando há risco relevante ou obrigação prevista em lei.
10 - Falar mal do Psicólogo anterior.
Muitos Psicólogos, infelizmente caem nesta armadilha, acreditando que desta forma, estão "empatizando" como paciente.
Não só, isto não é verdade, como é antiético, do nosso ponto de vista.
Vamos relembrar o que diz nosso Código de Ética neste sentido, no art 10:
Art. 10º A crítica a outro Psicólogo será sempre objetiva, construtiva, comprovável e de inteira responsabilidade de seu autor.
Existem outros pontos importantes, no tópico: "Das relações com outros profissionais".
Mesmo que o teu paciente tenha sido claramente mal atendido por outros Psicólogos, não cabe a você reafirmar isso. Mantenha o bom senso.
11. Falar que está se sentindo mal em atender este tipo de caso.
Porém, conforme aprendemos lá no começo da nossa formação acadêmica, no segundo ano do curso de psicologia, especificamente nas aulas de Psicanálise Freudiana, temos que aprender a manejar as relações de contratransferência, levando nossas questões emocionais para nossa psicoterapia e não para nosso paciente.
Se a demanda do paciente estiver causando desconforto, por alguma questão emocional que você, Psicólogo tenha, sugere-se que:
- Procure Psicoterapia, voltada para Psicólogos; e/ou
- Encaminhe seu paciente para outro colega que tenha condições emocionais de atendê-lo satisfatoriamente e de maneira imparcial.
"Entende-se por contratransferência as emoções que o terapeuta experimenta no decorrer de uma análise, em relação ao paciente, e que são relacionadas com circunstâncias sentidas na sua própria vida, que o afetaram consciente e inconscientemente."
Porto Editora – contratransferência na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-01-27 13:54:38]. Disponível em
12. Falar coisas que sugiram intimidade maior do que o momento profissional propõe.
Não é de bom-tom falar de nossas angústias, nossos sofrimentos emocionais, pois isso nos coloca numa posição invertida, deixando o paciente inseguro a respeito do nosso profissionalismo. Neste caso, convém procurar Terapia para Psicólogos.
13. Cuidado ao tratar de questões financeiras
Estas questões tem de ser resolvidas com muita serenidade.
Se você, Psicólogo não sabe como resolver este tipo de conflito, sugiro que procure Supervisão
14. Falar mal das pessoas que fazem parte da vida do paciente
Outra armadilha que deve ser evitada.
Quando for absolutamente necessário mostrar para o paciente que ele ou ela está numa relação abusiva (o que é muito frequente na nossa profissão) existem formas sutis e profissionais de fazê-lo.
Para aprender como falar sobre isto, sugiro que procure Supervisão
15 - Discutir com Paciente nas Redes Sociais
16. Falar mais que o paciente
Eu costumo limitar meu tempo de discurso em (no máximo) 10% do tempo. Quando preciso dar explicações técnicas sobre algum assunto, chego a 15%.
Salientando que a terapia é dele(dela). São eles que devem falar, não nós....
Algumas Frases de Carl Rogers. Que o Grande Mestre nos Inspire hoje e sempre!
Nas
minhas relações com as pessoas descobri que não ajuda, a longo prazo,
agir como se eu fosse alguma coisa que eu não sou. (p. 28)2.
Descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo
aceitando-me, e quando posso ser eu mesmo. … Julgo que aprendi isto com
meus clientes, bem como através da minha experiência pessoal – não
podemos mudar, não podemos afastar do que somos enquanto não aceitarmos
profundamente o que somos. (p.29)3. Atribuo um enorme valor ao fato de poder me permitir compreender uma outra pessoa.(p.30)4.
Verifiquei que me enriquece abrir canais através dos quais os outros
possam comunicar os seus sentimentos, a sua particular percepção do
mundo.(p.31)5. É sempre altamente enriquecedor poder aceitar outra pessoa.(p.32)6.
Quanto mais aberto estou às realidades em mim e nos outros, menos me
vejo procurando, a todo o custo, remediar as coisas.(p.33)7.
Posso ter confiança na minha experiência. … quando sinto que uma
atividade é boa e que vale a pena prossegui-la, devo prossegui-la.(p.34)8.
A apreciação dos outros não me serve de guia. Apenas uma pessoa pode
saber que eu procedo com honestidade, com aplicação, com franqueza e com
rigor, ou se o que faço é falso, defensivo e fútil. E essa pessoa sou
eu mesmo.(p.34)9. A experiência é para mim a autoridade suprema.(p.35)10.
Sinto-me satisfeito pela descoberta da ordem pela experiência. … A
investigação é um esforço persistente e disciplinado para conferir um
sentido e um ordenação aos fenômenos da experiência subjetiva. (p.36)11.
Os fatos são sempre amigos. O mínimo esclarecimento que consigamos
obter, seja em que domínio for, aproxima-nos muita mais do que é a
verdade. (p.37)12. Aquilo que é mais pessoal é o que há de mais geral. (p.37)13.
A experiência mostrou-me que as pessoas têm, fundamentalmente, uma
orientação positiva. … Acabei por me convencer de que quanto mais um
indivíduo é compreendido e aceito, maior tendência tem para abandonar as
falsas defesas que empregou para enfrentar a vida, e para progredir num
caminho construtivo.(p.38)14. A vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixado.(p.38)Penso
que é possível agora ver claramente por que razão não existe filosofia,
crença ou princípios que eu possa encorajar ou persuadir os outros a
terem ou a alcançarem. não posso fazer mais do que tentar viver segundo a
minha própria interpretação da presente significação da minha
experiência, e tentar dar aos outros a permissão e a liberdade de
desenvolverem a sua própria liberdade interior para que possam atingir
uma interpretação significativa da sua própria experiência. (p.39)
Rogers Carl R. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1991
Referências
TELLES, Thabata Castelo Branco; BORIS, Georges Daniel Janja Bloc e MOREIRA, Virginia. O conceito de tendência atualizante na prática clínica contemporânea de psicoterapeutas humanistas. Rev. abordagem gestalt. [online]. 2014, vol.20, n.1 [citado 2019-09-20], pp. 13-20. Disponível em:
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