Muitos pacientes tratam seus psicólogos por “doutor” ou “doutora”. Isso acontece com bastante frequência no cotidiano dos consultórios e, muitas vezes, é uma forma de tratamento que expressa respeito, consideração ou simplesmente um hábito cultural.
Mas existe uma diferença importante entre ser chamado de doutor pelo paciente e possuir, de fato, um título acadêmico de doutorado.
Psicóloga é doutora?
A resposta depende da formação acadêmica da profissional. Uma pessoa formada em Psicologia é psicóloga porque concluiu a graduação em Psicologia e possui a habilitação necessária para exercer a profissão.
Isso, porém, não significa automaticamente que essa profissional seja doutora. O título de doutora, no sentido acadêmico, está relacionado à conclusão de um curso de doutorado.
Portanto, uma psicóloga pode ter graduação, especialização, mestrado ou doutorado. Cada uma dessas formações corresponde a uma etapa diferente da trajetória acadêmica.
É justamente por isso que a apresentação profissional deve corresponder à formação que a psicóloga efetivamente possui.
Por que alguns pacientes chamam psicólogos de doutor?
É bastante comum que pacientes utilizem “doutor” ou “doutora” ao se dirigirem a profissionais da área da saúde.
Para muitas pessoas, essa palavra funciona simplesmente como uma forma de tratamento respeitosa. O paciente pode chamar o psicólogo de doutor sem estar necessariamente fazendo uma afirmação sobre sua formação acadêmica.
Essa situação pode acontecer desde o primeiro contato, inclusive quando o paciente ainda não conhece a trajetória acadêmica do profissional.
Por isso, não é incomum ouvir frases como “doutora, posso contar uma coisa?” ou “doutor, estou passando por uma dificuldade”.
O uso espontâneo dessa forma de tratamento pelo paciente é diferente da utilização do título pelo próprio profissional em sua apresentação.
E quando o paciente chama a psicóloga de doutora?
Se uma paciente chamar a psicóloga de “doutora”, a profissional pode esclarecer sua formação de maneira simples e natural.
Não é necessário transformar a situação em um constrangimento. Uma explicação breve costuma ser suficiente: “Sou psicóloga. Não tenho doutorado, mas pode me chamar pelo meu nome”.
Dessa maneira, o paciente entende que “doutora” não corresponde à formação acadêmica daquela profissional, sem que isso prejudique a relação de confiança construída durante o atendimento.
O profissional deve informar sua verdadeira formação
A apresentação profissional precisa ser clara. Se a psicóloga não possui doutorado, não deve se apresentar como doutora como se esse fosse um título acadêmico que possui.
Isso é especialmente importante porque o paciente tem o direito de saber quem é o profissional que está atendendo, qual é sua formação e quais qualificações efetivamente possui.
A relação com o paciente começa também pela clareza das informações apresentadas pelo profissional.
Isso vale para a apresentação em consultório, cartão profissional, redes sociais, site, materiais de divulgação e demais espaços nos quais o profissional informa suas qualificações.
Título acadêmico e forma de tratamento são coisas diferentes
É importante separar duas situações que muitas vezes acabam sendo confundidas.
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Forma de tratamento: o paciente pode chamar a psicóloga de doutora como uma forma de respeito ou hábito.
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Título acadêmico: corresponde a uma formação acadêmica efetivamente concluída, como um doutorado.
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Uma coisa não transforma automaticamente a outra.
E o mestrado? Também não transforma o psicólogo em doutor
A conclusão de uma especialização ou de um mestrado também não equivale à obtenção do título acadêmico de doutor.
São formações diferentes, com objetivos e níveis acadêmicos diferentes.
Por isso, ao procurar um psicólogo, é interessante observar a formação apresentada pelo profissional e diferenciar graduação, especialização, mestrado e doutorado.
Como verificar a formação de uma psicóloga?
No contato inicial pelas redes sociais, nem sempre é fácil saber exatamente qual é a formação acadêmica de um profissional.
Uma possibilidade é consultar as informações disponibilizadas pelo próprio profissional e, quando houver interesse em sua trajetória acadêmica, consultar a Plataforma Lattes.
A Plataforma Lattes reúne informações acadêmicas e profissionais de pesquisadores e outros profissionais que mantêm currículo cadastrado.
Ao analisar
o perfil de um psicólogo na Plataforma Lattes,
é possível encontrar informações sobre formação acadêmica, participação em pesquisas, projetos e publicações, quando esses dados estão disponíveis.
Dessa maneira, o paciente pode compreender melhor a trajetória acadêmica do profissional e distinguir as diferentes formações apresentadas.
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