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Infidelidade: O que é e como ldar

Considera-se Infidelidade todo comportamento que viola as regras de compromisso com alguém. Isto pode ocorrer em vários contextos, com o familiar, o social, o profissional, etc. Neste artigo pretendo tratar da Infidelidade conjugal, de forma aproximada e sem esgotar o assunto.

Psicologa, Bradesco, amil, sulamerica, vila mariana, sp, terapia cognitivo-comportamental

A infidelidade conjugal pode assumir muitas formas,  desde que o parceiro (a) esteja violando as regras do relacionamento.  Podem ser incluídas nesta categoria desde simples paqueras virtuais, até abandonos de lares.

Existem vários tipos de envolvimento extraconjugal: mesmo onde não exista envolvimento sexual, a infidelidade pode se caracterizar pela manifestação de interesse em outra pessoa. Isto não significa que pensar em outro seja um ato de traição, desde que este pensamento não tome forma e se transforme numa traição verdadeira. É possível reunir força de vontade e reprimir estes pensamentos, mantendo o compromisso com o parceiro (a) mesmo diante das maiores tentações.   

Porque ocorrem atos de infidelidade?

Vou abrir um parênteses aqui e ampliar a discussão para um contexto macro, considerando algumas variáveis sócio-históricas e culturais.

As relações monogâmicas nem sempre foram os padrões de relacionamentos. Nas antigas sociedades helênicas, alguns povos (como as amazonas) se juntavam apenas para fins de procriação. No antigo Egito, os casamentos eram estabelecidos em família para garantir a manutenção do poder e do status quo de uma dinastia. Na antiga Grécia os matrimônios eram estabelecidos apenas para procriação e era comum que os homens mantivessem relações amorosas com outros homens fora do casamento. Já na roma antiga, o casamento tinha como finalidade estabelecer a ordem social, definindo patriarcados e garantindo que as riquezas, bem como o status quo, se perpetuassem entre os descendentes.

Com o advento do cristianismo, que foi criado com a finalidade de sintetizar as antigas religiões pagãs, a monogamia se tornou o modelo padrão de relacionamentos. Isto não significa que as uniões fossem baseadas em amor. Na maioria dos casos, eram pactos com objetivo de perpetuar riquezas e poder. Deste modo, quando havia atração por outra pessoa, os relacionamentos só poderiam ser vivenciados na forma de adultério.

Infidelidade no século XXI

Dois milênios depois: Nas sociedades ocidentais, são raros os casamentos feitos por imposição; as relações são iniciadas (supostamente) por amor; pode-se escolher livremente o cônjuge.....e a infidelidade continua a ser praticada. O que acontece?

A teoria biológica

Algumas correntes da biologia defendem que o ser humano não consegue manter-se monogâmico porque: o homem teria que espalhar o maior número de espermatozoides possíveis para garantir a procriação e a perpetuação da espécie; a mulher teria um número limitado de óvulos e precisaria de um número razoável de relações sexuais para garantir a procriação.

Ok. 

Partindo do pressuposto que estas teorias estejam corretas, ela deve ser complementada pela Neurociência, cujos estudos recentes mostram que o desenvolvimento de nosso cortéx pré-frontal nos possibilita colocar freio nos impulsos primitivos, raciocinar sobre nossos atos e tomar decisões acertadas. isto nos difere de outras espécies animais.

Uma vez que somos dotados da capacidade de reprimir nossos impulsos primitivos, os atos de infidelidade, ocorrem na maioria das vezes, de forma deliberada (salvo em raras exceções).

Os aspectos culturais

Ora, se a infidelidade seria, então, um ato deliberado, um exercício da vontade, quais as variáveis que colaboram para que ela ocorra?

Levanto aqui a hipótese de que são variáveis culturais, especialmente no mundo ocidental. Dentre tais variáveis, podemos encontrar: as músicas, os filmes, as novelas, as revistas, a internet, etc.

A busca da beleza
Observa-se que tais meios de comunicação apregoam insistentemente a necessidade de ter um corpo perfeito, saúde, beleza e juventude, como sinônimo de vida afetivas/sexual perfeita. Isto leva algumas pessoas a buscarem a perfeição física, e consequentemente, aceitação. Em alguns casos, o sentimento de menos-valia é tão grande, que o indivíduo busca a aceitação de vários pares afetivos. E isto leva, obrigatoriamente a atos de infidelidade, pois quanto mais o número de parceiros o indivíduo conseguir, melhor se sentirá.

A busca do amor
Outro ponto que não pode ser ignorado, é a busca pelo amor eterno, puro e verdadeiro, cantado em versos, contado em prosa.

Os contos de fada, as novelas, e alguns filmes, algumas músicas, pressupõem que o amor verdadeiro seja condição única para a felicidade. Algumas pessoas acreditam, e quando percebem que seu relacionamento está esfriando, começam a buscar novos relacionamentos para garantir as emoções e o bem estar que uma relação afetiva proporciona no começo. Tais indivíduos, geralmente buscam diversos tipos de relacionamento, engatam uma relação em outra, e não concebem a ideia de não ter alguém "que os faça feliz".

Ora, a felicidade então estaria nas mãos de outra pessoa? 
Colocar a felicidade nas mãos do outro indica pobreza psicológica e falta de capacidade de lidar com as próprias emoções. Um indivíduo deve adquirir maturidade emocional para lidar com as próprias emoções.


Como lidar

Se você está vivenciando um ato de infidelidade com provas concretas:
  • tente conversar com seu (sua) parceiro (a) sobre as implicações deste ato para a manutenção e o futuro da relação;
  • avalie friamente se o seu relacionamento deve ser mantido ou interrompido, pois houve quebra no vínculo de confiança, que somente com muito esforço poderá ser reconstruído;

Se você já vivenciou,  decidiu manter a relação, mas não consegue esquecer.
  • Avalie friamente se o (a) parceiro (a) está se empenhando em manter-se fiel;
  •  Observe se a relação de cuidado intimidade e comprometimento está preservada;
  • Evite desconfianças infundadas e pensamentos tudo-ou-nada: o simples fato do (a) parceiro manter relações cordiais com pessoas supostamente interessante, não significa que haverão novos atos de infidelidade;
  • Se decidiu perdoar, faça-o de forma irrestrita: não existe perdão pela metade;
  • Se não consegue perdoar, talvez seja o momento de buscar ajuda psicoterápica. Em alguns casos, conflitos pessoais podem atrapalhar o julgamento correto sobre o comportamento do outro.

Não assuma a culpa. Lembre-se que se o outro é responsável pelos seus sentimentos, desejos e vontades, portanto cabe a ele o poder de decisão sobre trair ou não. Logo, se houve traição a escolha foi dele, não sua. Mesmo quando há desgaste na relação e isto leva a atos de infidelidade, a responsabilidade do desgaste compete a ambos, pois a relação nunca é unilateral. Um casal deve saber compartilhar alegrias e angústias. Mesmo quando o infiel se queixa de que não recebeu amor suficiente, compete a ele encontrar formas saudáveis de contornar esta situação, sem recorrer a métodos primários como chantagens emocionais ou infidelidades.

Pagar na mesma moeda. Não é aconselhável porque:
  • Você estaria colocando a responsabilidade pela sua felicidade nas mãos de outra pessoa, que pode estar realmente buscando algo mais numa relação;
  • Pode garantir satisfação imediata, mas certamente remeterá à sensação de vazio, por não conseguir encontrar formas mais maduras de lidar com o problema (ou seja, você terá dois problemas, ao invés de um);
  • Impede que se adquira maturidade suficiente para lidar com situações dolorosas.


Conclusão

A descoberta de um ato de infidelidade é um dos piores momentos na vida de uma pessoa, podendo levar a depressão, isolamento, doenças ou até mesmo a morte. 

Importante ressaltar que, apesar de dolorosa, não é o fim, pois uma vida pode ser reconstruída, se houver capacidade de superação suficiente para lidar com este problema.



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